

Sandra Maria
E se aquilo que sentes não for o problema… mas um pedido de ajuda?
Palestra Xamanismo e Saúde Mental
3 de out. de 2026
E se não estivermos “mal” — mas simplesmente em desequilíbrio?
Foi uma das reflexões que partilhei recentemente no Interdanças, na Quinta da Fidalga, no Seixal, a propósito da palestra sobre a abordagem xamânica à saúde mental.
Vivemos num mundo que nos pede velocidade, produtividade e disponibilidade constante. Estamos cada vez mais ligados, mas, paradoxalmente, muitas vezes cada vez mais desligados de nós próprios.
O corpo sente. A mente acelera. As emoções acumulam-se.
E continuamos a avançar, muitas vezes sem parar para perguntar:
O que é que eu realmente preciso?
Na perspetiva xamânica, saúde e bem-estar não são vistos apenas como a ausência de sintomas. Existe uma visão mais ampla da pessoa, onde corpo, mente, emoções e espírito estão profundamente interligados.
Quando perdemos o equilíbrio numa destas dimensões, isso pode refletir-se nas outras.
Por isso, em vez de perguntarmos apenas “O que está errado comigo?”, podemos experimentar uma pergunta diferente:
“O que aconteceu na minha vida para eu me afastar do meu equilíbrio?”
Esta mudança de perspectiva pode abrir espaço para uma relação mais compassiva connosco próprios.
Falamos também de algo que muitas pessoas reconhecem: a sensação de nos termos perdido de nós mesmos.
Na tradição xamânica, esta experiência pode ser associada ao conceito de fragmentação da alma — uma forma de descrever a perda de partes de nós perante experiências difíceis, mudanças profundas ou momentos em que tivemos de nos adaptar para continuar.
Independentemente da forma como cada pessoa se relaciona com este conceito, existe aqui uma reflexão importante:
Que partes de mim deixei para trás para conseguir chegar até aqui?
Talvez recuperar o equilíbrio não signifique acrescentar mais uma tarefa à nossa lista.
Talvez signifique parar. Respirar. Sentir. Escutar o corpo. Voltar à natureza.
Respeitar os nossos ritmos. Reconhecer aquilo que estamos a carregar.
E criar espaço para voltar a ouvir aquilo que, no meio do ruído, deixámos de escutar.
O tambor, a respiração, as plantas, a natureza, os chakras e os ritmos internos podem, dentro da visão xamânica, ser ferramentas de conexão e exploração interior.
Não como substitutos da medicina ou da psicologia, mas, para quem se identifica com esta abordagem, como possíveis caminhos complementares de reconexão.
Porque talvez a saúde não comece apenas quando os sintomas desaparecem.
Talvez comece quando voltamos a estar presentes na nossa própria vida.
E tu?
Sentes que estás verdadeiramente conectado contigo — ou apenas a conseguir acompanhar o ritmo da vida?
Talvez valha a pena parar por um momento e escutar a resposta.
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