

Sandra Maria
40 pessoas, 1 círculo Xamânico e uma aprendiz da vida com 4 anos
Interdanças Seixal
30 de set. de 2026
Há experiências que não se explicam facilmente. Sentem-se. A minha participação no Interdanças, no Seixal, foi uma dessas experiências.
Um encontro com mais de 40 pessoas num círculo de limpeza xamânica, onde cada pessoa trouxe consigo a sua história, o seu momento de vida e aquilo que estava disponível para deixar ir.
E, ao meu lado, estava uma pequena aprendiz da vida, com apenas 4 anos.
Uma presença que trouxe ao círculo algo muito especial: leveza, espontaneidade, alegria e verdade. Talvez aquilo que as crianças fazem tão naturalmente e que nós, adultos, tantas vezes esquecemos.
Foi uma experiência única e muito familiar. Não apenas pela presença dos meus companheiros de vida — um grande e uma pequena — mas também pela forma como, naquele espaço, se criou uma verdadeira sensação de comunidade.
O círculo xamânico de limpeza começou de forma intensa. Desde os primeiros momentos, senti que as pessoas estavam disponíveis para se entregar à experiência.
Começámos por ativar o corpo, através do movimento, da agitação e da presença física. Porque há coisas que não se libertam apenas através da mente. Há emoções, tensões e pesos que o corpo carrega e que, por vezes, precisam de movimento para chegar à superfície e encontrar uma forma de serem libertados.
O grupo respondeu de uma forma maravilhosa. Havia entrega, presença, compromisso.
Cada pessoa, à sua maneira, foi entrando no processo e permitindo-se libertar aquilo que já não precisava de continuar a carregar.
Senti a força de estarmos juntos. Porque quando um grupo de pessoas se reúne com uma intenção comum, cria-se algo maior do que a soma de cada uma das partes.
E depois veio a alegria. Cantámos juntos. Dançámos juntos. E terminámos todos abraçados.
Naquele momento, éramos muito mais do que 40 pessoas reunidas num evento. Éramos um círculo de força e poder, unido por uma experiência partilhada e pela vontade de nos permitirmos estar presentes, sentir e libertar.
E no meio de tudo isto estava a minha pequena aprendiz da vida.
A sua presença trouxe ainda mais leveza e alegria ao ritual. A espontaneidade de uma criança tem a capacidade de transformar um momento, de nos fazer sorrir e de nos recordar que profundidade e alegria não são opostos.
Podemos mergulhar profundamente dentro de nós e, ao mesmo tempo, dançar.
E não poderia deixar de referir o significado especial de tudo isto ter acontecido no Seixal. É neste concelho que existe o Espaço Yndigo, um espaço de portas abertas a todos os que querem comprometer-se consigo próprios e com o caminho de regresso à sua essência e ao seu potencial de felicidade.
A minha participação no Interdanças incluiu também uma palestra sobre a forma como vivemos hoje: cada vez mais conectados ao exterior, mas muitas vezes desconectados de nós próprios. Falámos sobre os desequilíbrios que essa desconexão pode trazer e sobre o xamanismo como um possível caminho de reconexão com o corpo, a natureza, a presença e a nossa essência.
No final, fiquei com uma enorme sensação de gratidão pelas mais de 40 pessoas que se entregaram à experiência, pelos movimentos, pelos cantos, pelas danças e pelos abraços.
Porque, no fundo, talvez seja isto que procuramos quando nos permitimos voltar à nossa essência: encontrar um espaço onde podemos baixar as defesas, abrir o coração, libertar o que pesa e recordar que não estamos sozinhos.
E, às vezes, basta um círculo. 40 pessoas. E uma pequena aprendiz da vida com 4 anos para nos lembrar como é bom voltar a sentir a vida com leveza, alegria e verdade.



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